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Divisórias funcionais

Com espaços cada vez mais reduzidos, substituir paredes de alvenaria por madeira pode ser uma excelente opção
 
Evelin Sayar


"Foram derrubadas todas as paredes de alvenaria da suíte para fazer o closet, executado em madeira e com as costas para o home. Isso economizou 30 cm de paredes, o que em um apartamento pequeno faz toda a diferença"

O apartamento de 100 m2 recém-entregue pela construtora foi totalmente transformado para atender às necessidades de um piloto solteiro que, entre suas idas e vindas, queria um lar aconchegante, prático e que oferecesse conforto na medida certa.
A arquiteta Evelin Sayar trocou todos os acabamentos e promoveu uma grande revolução na disposição dos ambientes, a começar pelo terceiro dormitório, que teve todas as paredes derrubadas, e pela suíte, que também perdeu uma delas. No lugar da alvenaria, madeira. "A ideia foi utilizar a madeira para dividir os ambientes e ainda servir como espaço para armazenar, embutir fiação e outros apetrechos técnicos, com os dois lados completamente utilizáveis", explica Evelin Sayar.
A parede que divide a suíte do home theater tem de um lado um completo closet de quase 10 m2; sua outra face é o home theater em si, automatizado e moderno. O closet é auto-portante, ou seja, é o miolo da composição de armários que ficou no lugar das paredes, e por ele passa toda a fiação de som do living para o quarto, além de suas paredes suportarem o peso de duas tevês, que atendem aos dois ambientes, com seus sistemas de automação embutidos.
Toda essa estrutura foi feita de MDF Duratex da linha Duna. Spots embutidos ajudam na iluminação perfeita do local. A parede do home theater é totalmente de madeira, e por dentro dela corre toda a tubulação de som, automação e ar-condicionado. Além de ser removível, para uma eventual manutenção, ela é estrutural. Fios e cabos podem ser muito facilmente acessados mediante uma pequena abertura. Segundo Evelin, "um dos cuidados que se deve ter ao remover paredes é a preocupação com os sistemas de eletricidade e outros tipos de fiação, que terão de encontrar outros caminhos, como teto e chão, no caso desse imóvel, e no madeiramento"
Essas modificações na distribuição das paredes e na substituição pelas estruturas de madeira utilizadas como closet e home theater puderam liberar até 30 centímetros de área a mais, o que, num espaço reduzido significa maior amplitude e espaço para circulação.
O mesmo ocorreu no Home Office, integrado ao living ou isolado deste quando necessário apenas por grandes portas de correr feitas de MDF. Três folhas independentes correm por um trilho embutido no piso de madeira - solução ideal para suportar a sobrecarga - e uma guia foi usada na parte superior das portas. Assim, a área social também ganhou mais amplitude e se beneficiou das soluções que a madeira proporcionou.

 

O living é integrado ou separado do home theater e também do home office por meio de três portas de madeira que correm por trilhos e guias por questões de segurança. Dessa forma, quando abertos os espaços, a área social se torna ampla, mas também se beneficia de privacidade quando necessário.

A parede de madeira do home theater, que também é estrutural, tem no seu miolo um excelente closet, responsável por armazenar de forma ordenada todo o equipamento de viagem do piloto e também por sustentar a tevê que serve à suíte.


Confira quem fez
Arquitetura e Interiores: Evelin Sayar
Serviços Elétricos: Zé Carlos, Eletricista
Ar condicionado: Ártico Marcenaria: Marcenaria Ross
Iluminação: Lustres Iriê Bela Vista


Fonte:   Casa & Construção


PROJETO SUSTENTÁVEL



O acabamento veio do quintal


A natureza é perfeita! Na fachada, a pintura foi feita com terra vermelha retirada do próprio terreno, o que rendeu uma economia de R$ 5 mil.

  
No início, a casa de campo era apenas para passar os fins de semana com a família e os amigos, mas, em novembro de 2010, os proprietários, pais da arquiteta Danielle Duarte, decidiram trocar o conforto da cidade pela tranquilidade da fazenda.


Para tornar a propriedade mais agradável e funcional, os moradores pediram à filha que conduzisse uma reforma superficial e econômica.

 Como a casa vive sempre cheia, a quantidade de dormitórios e banheiros foi alterada, assim como o pé-direito, visando conforto térmico.

"Minha mãe é uma cozinheira de mão cheia, por isso exigiu que eu projetasse uma cozinha ampla e uma varanda bem espaçosa para reunir a família em volta da mesa", conta a arquiteta.


As estruturas de madeira e o telhado foram totalmente refeitos e ferragens novas, inspiradas nas fazendas antigas, foram instaladas.

A tinta natural à base de água, terra, base líquida e selador acrílico não contém pigmentos adicionais


 




A caiação dos caixilhos no tom azul-turquesa foi fixada com verniz fosco. O efeito envelhecido foi conquistado com uso de lixa



O ANTIGO VERMELHÃO
Típico das casas rurais, o chão "vermelhão", como é chamado popularmente, foi aplicado nas área interna e externa da casa, com exceção dos banheiros e da cozinha. O piso é de cimento queimado pigmentado na cor vermelho tradicional - versão mais comum e acessível. Para torná-lo mais atraente, a arquiteta espalhou recortes de azulejo hidráulico; embaixo da mesa de Angelin Pedra, em que a família se reúne para fazer as refeições, chegou a criar um tapete com o revestimento. O lustre foi herdado pelos moradores e acentua o estilo campestre.





Sala de recepção

Como a fazenda da família Duarte produz a cachaça orgânica - que utiliza apenas recursos naturais, desde a adubação da cana-de-açúcar até o processo de fermentação da bebida -, há um espaço especial dentro da casa para o armazenamento da aguardente e recepção dos clientes. 

As garrafas ficam protegidas em antigos tonéis de carvalho, usados para o envelhecimento da cachaça, que foram adaptados e transformados em móveis originais e exclusivos. Esse espaço, o mais concorrido da casa, também é dedicado à degustação de licores, geleias e doces produzidos na fazenda.




Os recortes de azulejos hidráulicos espalhados pela casa custaram R$ 3 cada peça



Os caixilhos foram pigmentados de azul também por dentro. O efeito que lembra madeira de demolição foi conseguido com lixa

Ampliações
O pé-direito agora tem 4,5 m, o que proporciona melhor circulação do ar, com isso, a sensação térmica dentro de casa é beneficiada. As estruturas de eucalipto do telhado e as telhas cerâmicas ficam aparentes, por opção da moradora.


A cozinha ampla foi uma exigência da mãe de Danielle, que aprecia a arte da culinária. A bancada que circunda todo o ambiente é de granito verde Ubatuba, o mesmo usado no banheiro, que juntos custaram R$ 900.

A cerâmica da cozinha custou R$ 14 o m² e foi customizada pela moradora, que é artista plástica.

Projeto: Danielle Duarte
Pintura com terra: Elton
Pintura em azulejo: Maria Lúcia Duarte


Fonte:   Construir Mais Por Menos